Editorial

O frio é inocente

21/05/2022 às 05:30
Atualizada em 23/05/2022 às 08:18.

Nos ensinaram nos bancos de escola que as forças da natureza, assim como os atos divinos, são inexoráveis - que não temos responsabilidade ou meios para escapar de sua fúria ou de sua benevolência. Que todas as tragédias causadas pelas intempéries, como terremotos, maremotos, furacões, tempestades e deslizamentos, são "coisas da vida", como escreveu o autor americano Kurt Vonnegut.

A onda de frio que atingiu o centro-sul do Brasil, incluindo o Alto Tietê, deixou de ser um mero acidente meteorológico a partir do instante em que gestores públicos, a sociedade civil e a comunidade se mobilizam para evitar mortes causadas pelas baixas temperaturas, com o reforço dos sistemas de assistência social, das vagas em abrigos para pessoas em situação de rua, com apelos por doações.

O frio é implacável, impossível de ser parado, embora cientistas apontem a atividade humana como responsável pelas mudanças climáticas. São sucessivos apelos por novas atitudes e novas tecnologias para manter nosso padrão de vida sem colocar em risco nosso planeta ocorrem há séculos. E agora pagamos o preço.

Mas há um outro fator mais insidioso no sofrimento das pessoas em situação de rua, das famílias vulneráveis: o desastre humanitário causado pelo desemprego, pela desumanização por parte de nossos governantes, pela falta de oportunidade e atenção aos que mais precisam de ajuda, num cálculo macabro entre danos colaterais de uma guerra de ideologias que nos assombra há poucos anos.

O frio é implacável, mas não é o único responsável pelas imagens que nos assombram nos telejornais com dezenas de pessoas se abrigando em praças, viadutos e monumentos. Vivemos o desastre natural duplamente causado pela mão dos homens, pelo desencorajamento em discutir seriamente programas sociais em âmbito nacional, pela arquitetura covarde que trata miseráveis como pragas em nome da estética do concreto.

No fim das contas, o frio é inocente, pois ele apenas revela o caráter de todos nós. Do caráter daqueles que excluem, e dos que tentam abraçar quem sofre e morre. Não é meramente uma "coisa da vida".

 

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Fundado por Paschoal Thomeu – circulou em 22 de novembro de 1975. Em 1992, o administrador de empresas e publicitário Sidney Antonio de Moraes adquiriu a marca e relançou o jornal em 27 de outubro. O projeto foi ganhando força e, em 23 de abril de 1997, o jornal, até então preto-e-branco e veiculado apenas uma vez por semana, passou a circular colorido e bissemanalmente. Em 18 de maio do mesmo ano, a circulação foi ampliada para trissemanal e, finalmente, em 21 de junho de 1997 concretizou-se o lançamento do Mogi News diário. São inúmeras ações que, aliadas à qualidade editorial e gráfica, consagram o Mogi News como o jornal mais lido e respeitado do Alto Tietê

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