Caráter ou canalhice?

Caráter é tudo na vida. Parente afim, que, diga-se de passagem, nunca trabalhou na vida, afirma com toda convicção que lhe é peculiar e com todos rompantes, que sou mau caráter! Tento de todas as maneiras buscar referências para justificar tão competente diagnóstico!

Cheguei à conclusão de que depois de ter trilhado uma vida profissional numa organização educadional, pasmem, por quase cinquentas anos, acho que a incompetência e a má conduta permearam todos estes anos de profícua produtividade, e ninguém, nem dirigentes, nem colegas professores altamente qualificados, alguns com PhD de renomadas universidades internacionais, tampouco maravilhosos e prestativos funcionários, com os quais sempre travei um diálogo de amigo e de compreensivo conselheiro, perceberam essa particularidade da minha índole.

Haja incompetência saindo pelo ladrão! Ou então cegueira, que, à luz de evidências, pratica o que lhe é conveniente e que, sei não, esteja mergulhado em solene e descarada canalhice! Oremos para que isso seja só descabida suspeita!

Saber dizer é o exercício cotidiano da inteligência tida como normal e produto de sadia prática de caráter. É sempre interessante que se lembre: se você não estaciona o seu carro na vaga de deficiente físico ou de idoso, parabéns: você não é canalha! Agora, se, em determinada circunstância, no seu dia a dia deixa de respeitar o sinal vermelho, atropela filas, joga lixo pela janela do carro, e ainda vai se vangloriar na frente do filho ou amigo que seja: você é um canalha!

Igualzinho aos políticos corruptos e cínicos que tanto abomina. Vou mais além: se você pega uma criança emprestada de um parente ou amigo para passar na frente da fila, e ser atendido com deferência, você é um canalha, de marca maior.

Reflita: é correto fazer um concurso público, sem vocação, apenas para ter um emprego efetivo, mas depois, fazer de conta que trabalha e não presta o serviço correto à população, que tanto espera de você?

Mudança no País: só pelo exemplo! Nada de canalhice, de julgamento, como o da peça acima: faça a sua autocrítica e, daí, a sua parte! Que valores ensina a seus filhos e afins? Sob que limites éticos? Nada do "jeitinho brasileiro"!

Ao se acabar com a canalhice impregnada, combate-se a corrupção. Para acabar com a corrupção política, o primeiro passo é acabar com a canalhice que está institucionalizada. Assim, antes de criticar o político corrupto, mire-se no espelho e veja se você está fazendo a sua parte: caráter é tudo na vida! 

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